Fofuras da Kah

Eu tinha que seguir em frente sem olhar para trás, vivendo apenas o presente, esquecendo do passado e sonhando com o futuro, nada muito além dos clichês que a gente sempre vê nos filmes de Hollywood.
Demos mais alguns passos e logo estávamos na beira da estrada. Senti o corpo molhado de Anne contra o meu. Ela sim foi uma grande amiga. Eu sabia que aquela era minha deixa, e nossa despedida. Retribuí o abraço sem dizer uma palavra, somente comtemplando meus pensamentos, e deixando as frias gotas de chuva escorrerem sobre meu rosto e se misturarem as minhas lágrimas. Me afastei um pouco de minha melhor amiga, e de longe avistei o ônibus que pegaria para chegar a São Paulo. Me despedi pela última vez apenas dando as costas para todo aquele circo que eu havia montado. Até que para quem nunca gostou de grandes confusões, eu tinha me virado com maestria naquele cenário dantesco.

Depois de longos 60 segundos que mais pareceram durar horas, finalmente subi no ônibus, e dei um passo adiante na busca pelo meu sonho. Sentei no último banco, apesar da maioria dos assentos estarem vazios. Passei a olhar para a paisagem noturna, que não passava de sombras na escuridão, ou uma versão marinada do que tava flutuando em minha mente. Aos poucos fui pensando em tudo o que tinha sido feito até aquele determinado ponto: minha fuga, meu sonho, Anne encrencada por bom tempo, John metido em sérias consequências por minha causa….. é tinha sido um baita de um lacre. Tudo isso, simplesmente porque a partir daquele dia, eu seria simplesmente eu. E quando me dei de conta já tinha adormecido.

Quando acordei, alguns pesadelos depois, o barulho da chuva já não embalava mais meus pensamentos, e pela primeira vez em muito tempo, pude dormir por mais de 4 horas. Olhei pela janela e pensei comigo mesma “foi tudo por uma boa causa, foi tudo por uma boa causa”. Finalmente tomei coragem e tirei o celular de dentro da mochila. Era quase como se aquele pequeno projeto de R2D2 tivesse se tornado um destróier que poderia vir a explodir a qualquer instante (bem como uma boa estrela da morte depois de uma visita Jedi). Ao apertar o botão principal, enxerguei algumas notificações na tela.

-Alarme: Bom dia Cinderela

– Você possui 32 chamadas perdidas

– “Agora chegou o Blah, por apenas R$2.99 por semana…”

-WhatsApp 5 horas atrás

Mamis: Não sei que raio você tinha na cabeça, mas…

-WhatsApp 6 horas atrás

Papai: Filha pelo amor de Deus, volta pra casa, sua…

-WhatsApp 9 horas atrás
John: amor
John: porra eu n posso mais te chamar de amr pq vc resol….
John: fds, é o seguinte. Seu pai acha que foi minha ide…

-WhatsApp 15 horas atrás:

Anne: tô aqui embaixo. Que a força esteja conosco miga

Não ia ligar, e muito menos responder. Simples assim. Eu sabia muito bem que aquilo iria acontecer, que por um momento eles iriam me fazer sentir remorso por ter fugido de casa, mas eu simplesmente não iria dar satisfações, não pelo menos pelos próximos sete dias. Minha fuga na época me pareceu como uma compra feita online que vinha com o prazo de 7 dias para troca caso a “situação” não servisse. Engraçado, agora acho que os caras e as ofertas de emprego deveriam vir com a mesma opção.
Desembarquei na estação Jabaquara, quase que por obrigação. Comprei alguns passes de metrô, e fui em direção ao terminal da linha Ana Rosa.

(Mais um texto ~antigo por sinal~ escrito em  um momento de desabafo literário, com verdades sinceras de situações imaginárias!)….

Até mais ver terráqueos!

xoxo

                                                                                                🌸🌵✨

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  • Letícia agosto, 2017

    Kah, você escreve muito bem! Esse texto poderia virar um livro hahha, fiquei curiosa para saber o que aconteceria depois.
    Sucesso para o blog <3

    • fofurasdakah agosto, 2017

      Letícia que bom te ver por aqui!
      Um livro, nossa seria um sonho! haha
      Obs: prometo que tem algumas partes a mais desse conto vindo ai!

      Xoxo <3